A perda de habitat e a redução de presas naturais são das principais causas de ameaça às chitas e levam à aproximação destes animais às populações humanas, em busca de alimento nos pequenos rebanhos. Para uma população pobre, que tem no pastoreio a sua subsistência, a perda de um animal é financeiramente incomportável, resultando na perseguição dos predadores selvagens, como é o caso da Chita.
O projeto de cães pastores, desenvolvido pela
Cheetah Conservation Fund na Namíbia, procura há 25 anos reduzir este conflito. Para tal, o programa selecionou duas raças turcas, o Kangal e o Cão-pastor da Anatólia, cuja presença imponente, ladrar intimidante e natureza leal e protetora as torna, segundo a Dra. Laurie Marker, responsável pelo
Studbook Internacional da Chita e fundadora do
Cheetah Conservation Fund, os melhores protetores de ovelhas e cabras que existem. Devido ao seu fenótipo, os cães pastores asseguram um perímetro de segurança entre o gado e os animais selvagens, detendo deste modo potenciais predadores. Segundo Laurie, estas características e os resultados comprovados tranquilizam os pastores, fazendo com que não coloquem armadilhas ou disparem instintivamente sobre as chitas.
A
Cheetah Conservation Fund, que celebra este ano o seu 25º aniversário, reproduziu ao longo destes anos mais de 650 cães treinados, que distribuiu pelos pequenos pastores na Namíbia. Apesar dos números surpreendentes, devido ao sucesso obtido, o programa conta com uma lista de espera de 3 anos.
Após 25 anos de projeto e contacto direto com as populações, o balanço é muito positivo. Estimando-se uma diminuição de cerca de 80% das perdas de gado por predação e, consequentemente, a redução da perda de centenas de chitas e outros predadores selvagens.
No passado mês de novembro, o Jardim Zoológico ingressou neste programa através do envio da “
Lisboa” para a Namíbia. Esta fêmea de Cão-pastor da Anatólia faz agora parte do projeto
Livestock Guarding Dog, na Namíbia, garantindo a variabilidade genética das novas crias. Ao participar neste projeto, para além do envio da “Lisboa” para a Namíbia, o Zoo prevê uma constante troca de informação com os especialistas que trabalham no habitat natural, bem como uma ativa sensibilização dos visitantes do Zoo.