Foca-monge-do-mediterrâneo vê o seu estatuto prosperar, trazendo esperança à conservação da espécie
A Associação Europeia de Mamíferos Aquáticos (EAAM) reforça o seu compromisso com o mamífero marinho mais ameaçado da Europa, a Foca-monge-do-mediterrâneo, tendo em vista a sua conservação

A Foca-monge-do-mediterrâneo (Monachus monachus) é atualmente o mamífero marinho mais ameaçado da Europa. Outrora facilmente observada em todos os países do Mediterrâneo e ao longo da costa Africana e Macaronésia, desapareceu quase por completo. No entanto, devido aos esforços de várias organizações internacionais e a um importante trabalho de sensibilização, verificamos a inversão desta tendência. Em 2019, a Associação Europeia de Mamíferos Aquáticos (EAAM) vai duplicar os esforços para ajudar esta espécie através da organização grega MOm (Sociedade Helénica para o Estudo e Proteção da Foca-monge), que reabilita crias resgatadas desta espécie e possibilita a sua reintrodução na natureza.

Apesar dos esforços e dos bons resultados, muito trabalho está ainda por fazer de forma a garantirmos a recuperação total desta espécie. A caça acidental através das redes de pesca e a degradação das praias onde as progenitoras têm as suas crias são as piores ameaças.

Desde 2009, a EAAM despendeu mais de 50.000€ em atividades de resgate e reabilitação, que serviram para a recuperação de dezenas de indivíduos desta espécie seriamente ameaçada de extinção. Nos próximos meses, EAAM vai também financiar uma bolsa de estudos a um estudante europeu para que este colabore com o MOm no resgate e reabilitação de crias de Foca-monge-do-mediterrâneo.

Esta espécie desapareceu quase por completo da sua área de dispersão original e a sua população foi fragmentada em quatro subpopulações e reduzida para menos de 700 indivíduos, tornando esta numa das mais ameaçadas focas do Planeta. A caça acidental devido à pesca continua a ser a maior ameaça à sobrevivência desta espécie, que sofreu igualmente uma grande redução populacional quando em 1997, cerca de 200 indivíduos morreram na colónia de Cabo Blanco, no Sahara Ocidental, devido a uma maré vermelha.
Nos próximos anos, para garantir a recuperação desta espécie, teremos de continuar a observar a tendência de crescimento da população. Para isso, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) planeia realizar em 2020 a primeira reavaliação do grau de ameaça da espécie. Essas reavaliações são particularmente importantes no contexto das alterações climáticas.

Foto de topo: Foca-monge-do-mediterrâneo, ©Nuno Sá.

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