Cinco Rinocerontes-negros embarcam numa jornada de 6.000 km rumo à conservação da espécie
No sábado, dia 23 de junho, cinco Rinocerontes-negros-orientais (Diceros bicornis ssp. michaeli), classificados pelo IUCN como “Criticamente em Perigo”, embarcaram numa jornada de 6.000 km rumo à reintrodução no Parque Nacional de Akagera no Ruanda.

Numa colaboração inédita entre a Associação Europeia de Zoos e Aquários (EAZA), o governo do Ruanda e a organização não governamental focada em conservação, African Parks, cinco Rinocerontes-negros-orientais (Diceros bicornis ssp. michaeli), nascidos em zoos europeus vão ser transportados de Dvur Králové na República Checa, para o Parque Nacional de Akagera, no Ruanda, onde serão reintroduzidos.
 
O transporte dos animais teve lugar este sábado, dia 23 de junho, no entanto a “viagem” rumo à conservação desta espécie começou há algum tempo. Com tendência confirmada  para o decréscimo da população no habitat natural, a EAZA criou um programa para a conservação da espécie.
 
Em África, existem atualmente menos de 5.000 Rinocerontes-negros e apenas 1.000 Rinocerontes-negros-orientais. O futuro da espécie está criticamente ameaçado pela caça ilegal para a obtenção do seu chifre. Este projeto de reintrodução representa uma oportunidade urgente e valiosa para a conservação da espécie mas é também um reconhecimento da importância do papel dos zoos no processo de repor na natureza espécies avaliadas como extintas e apoiar no crescimento demográfico de espécies em declínio.
 

 
Segundo Mark Pilgrim, Coordenador do Programa de Conservação do Rinoceronte-negro-oriental e CEO do Zoo de Chester no Reino Unido, “A grande cooperação entre os zoos da EAZA resultou na criação de uma população de Rinoceronte-negro saudável e sustentável. Este trabalho previamente realizado permite-nos dar um grande passo na proteção do futuro das espécies no habitat natural”.
 
Os animais selecionados para reprodução, três fêmeas e dois machos, com idades compreendidas entre dois e nove anos, nasceram em zoos europeus no âmbito do projeto – Safari Park Dvůr Králové (República Checa), Flamingo Land (Reino Unido) e Ree Park Safari (Dinamarca) – e têm sido preparados para a possível reintrodução que hoje acontece.
 
Durante o transporte os animais foram acompanhados e monitorizados por um tratador experiente do Safari Park Dvůr Králové e pelo veterinário Dr. Pete Morkel, especialista em transporte de rinocerontes. Os especialistas vão ainda acompanhar a libertação dos animais no Parque Nacional de Akagera.
 
A reintrodução de animais em habitat natural é um processo moroso que implica a constituição prévia de uma população geneticamente saudável e a garantia de que o habitat está preparado para receber os animais. Após avaliação conclui-se que o Parque Nacional de Akagera apresenta as condições ideais para a reintrodução destes animais, uma vez que desde 2010 o Parque tem sido submetido a alterações nesse sentido. Atualmente, com a caça praticamente eliminada, tem sido possível a reintrodução de espécies-chave como leões (2015), que triplicaram o número de indivíduos, e rinocerontes (2017). Os esforços de conservação e o turismo permitiram que o parque seja quase autossuficiente, gerando 2 milhões de dólares americanos por ano, utilizados para desenvolver o Parque e as comunidades vizinhas.
 

Foram estas mudanças que contribuíram para que a EAZA e os zoos associados concordassem com a reintrodução dos animais neste espaço. As boas condições registadas vão também permitir o estudo não apenas dos cinco animais reintroduzidos mas também da população existente, à medida que estes se forem integrando na mesma, contribuindo para uma população estável de Rinocerontes-negros na África Oriental. O Parque é um componente-chave da estratégia do governo de Ruanda para promover o crescimento económico, proporcionando um futuro seguro para a vida selvagem no país.
 
Para Přemysl Rabas, diretor do Safari Park Dvr Králové, “ Ao realizar um processo de aclimação gradual planeado e bem monitorizado, acreditamos que estes rinocerontes se vão adaptar bem ao Ruanda.” Segundo o diretor, os animais vão ser inicialmente mantidos em áreas cercadas para a sua adaptação e mais tarde “vão disfrutar de instalações maiores numa área protegida. O passo final será a libertação na parte norte do Parque Nacional”.
 
Para Jes Gruner, gerente de parques do Parque Nacional de Akagera. “O transporte de cinco rinocerontes da Europa é histórico e simbólico e demonstra o que é possível fazer quando parceiros colaboram na proteção e recuperação de uma espécie verdadeiramente ameaçada.”
 
O Jardim Zoológico é membro fundador da EAZA e participa em todas as campanhas de conservação promovidas pela Associação que visam a conservação ex situ e in situ. O apoio do Jardim Zoológico passa pela divulgação das campanhas mas também pela partilha de conhecimento com as instituições associadas e através da angariação de fundos para cada nova campanha. No passado o Jardim Zoológico reintroduziu uma fêmea de Rinoceronte-negro em habitat natural, na África do Sul. Desde então, esta fêmea já contribuiu com pelo menos 5 novas crias, fundamentais para a sobrevivência da espécie classificada como Criticamente em Perigo.
 
Foto de topo: Manny (2018), em Safari Park Dvur Kralove, ©Simona Jirickova
Conjunto 1: (esquerda) African Parks, A black rhino in Akagera, Rwanda, ©Stuart Slabbert; (direita) African Parks, Akagera ©Scott Ramsay
Conjunto 2: (esquerda e direita) African Parks, Akagera ©Scott Ramsay
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