Programa de Conservação em Madagáscar
Madagáscar é uma ilha situada no Oceano Índico, ao largo da costa sudeste do continente africano. No nordeste da ilha encontra-se a Baía de Antogil, cercada por exuberantes florestas tropicais, entre elas, a floresta de Farankaraina, uma das últimas florestas intactas da ilha é habitat para um conjunto de fauna e flora absolutamente singulares.
Antogil Conservation é uma ONG que tem como missão a proteção da floresta e da sua biodiversidade, gerindo de forma sustentável a floresta de Farankaraina, sensibilizando os habitantes para a importância da natureza e promovendo o desenvolvimento local e, consequentemente, a melhoria das condições de vida das comunidades locais.
Há cerca de 165 milhões de anos Madagáscar separou-se do continente africano, razão pela qual possui hoje um conjunto de espécies de fauna e flora únicas. Cerca de 85% das espécies que aqui habitam são exclusivas desta área - são endémicas. Pelo conjunto rico de espécies de fauna e flora que encerra em si, Madagáscar é considerado um hotspot de biodiversidade.
 
O rápido crescimento da população humana coloca sob ameaça diversos ecossistemas da ilha. Como resultado da desflorestação para agricultura, atualmente restam cerca de 5 a 8 % da floresta tropical original que cobria Madagáscar quase por inteiro, levando a que quase todas as espécies endémicas da fauna e flora de Madagáscar se encontrem atualmente ameaçadas.
A nordeste de Madagáscar encontra-se a Baía de Antongil, cercada pelas últimas porções de floresta tropical primária da ilha. Estas florestas de baixa e média altitude estão entre as mais diversificadas da ilha e estão parcialmente sob a proteção do Parque Nacional de Masoala e da Área de Conservação Makira.
 
A floresta de Farankaraina situa-se ao longo da costa da baía, a 15 km da cidade principal de Maroantsetra. A preservação dessa floresta e o futuro das aldeias vizinhas estão seriamente comprometidos pela exploração insustentável dos recursos naturais. A prática agrícola de queima dos terrenos para o cultivo de arroz é a mais devastadora. O solo nu que foi cultivado perde rapidamente a sua fertilidade, o que leva os agricultores a desmatarem a floresta com alguma frequência. A situação é agravada pela exploração de madeireira e pressões da caça.
 

 
Em 2006, o governo de Madagáscar reconheceu formalmente a importância do trabalho realizado pela Antogil Conservation, tornando-a responsável pela gestão dos 1634 hectares da floresta de Farankaraina, oficialmente reconhecida como zona de conservação regional em 2009.
 
A ONG protege a floresta através de quatro zonas, definidas para conservar a floresta a longo prazo e permitir que os moradores se beneficiem dos recursos:
• uma zona de conservação central integral
• zona de reabilitação, através da reflorestação
• uma zona reservada para uso dos habitantes locais
• zona de ecoturismo (150 ha)
 
A floresta é gerida em colaboração com representantes das 10 aldeias vizinhas. Ao fazerem deste um projeto de todos têm maior aceitação por parte das populações locais.
 

 

 
A conservação de Madagáscar passa pela sensibilização dos habitantes locais e dos turistas para a importância da preservação da natureza. Para tal, a Antogil Conservation desenvolve com frequência iniciativas junto da população.

 - promoção de atividades educativas para crianças;
- organização do festival do lémur;
- transmissão de rádio e realização de concursos sobre a natureza;
- dinamização de atividades e debates para sensibilização;
- formação e suporte de clubes do ambiente de forma a envolver os mais novos na proteção da natureza;
- realização de visitas guiadas à floresta de Farankaraina.


 
Para além da sensibilização há uma tentativa de fomentar melhorias na vida das populações locais e promover atividades económicas sustentáveis:
 
Gerir a floresta de Farankaraina a longo prazo - são realizadas frequentes patrulhas e há um contacto regular com as vilas vizinhas. As patrulhas ajudam a identificar e desmantelar potenciais ações ilegais e perceber o estado da floresta.
 
Proteger a biodiversidade - a floresta de Farankaraina é o habitat de espécies animais e vegetais únicas. A reintrodução de animais através de translocação ou provenientes de zoos europeus é um dos projetos em prática para aumentar os indivíduos em habitat natural e promover a criação de uma população estável e geneticamente saudável.
 
Apoiar os visitantes locais - 1. Através da criação de microempresas eficientes que ofereçam aos habitantes locais atividades profissionais sustentáveis. 2. Através da criação de viveiros. As plantas aqui cultivadas são usadas na reflorestação das áreas danificadas da floresta de Farankaraina e ainda para fornecer recursos aos habitantes locais (madeira, alimento e plantas medicinais) e gerar receita com as vendas. 3. Através da criação micro-barragens que canalizam a água para os campos de arroz, levando a que os campos produzam mais rendimentos, deste modo, os aldeões cultivem a terra por mais tempo, em vez de queimar novas seções da floresta. 4. Melhoria das condições de saúde.
 
Melhorar a floresta através do ecoturismo - os turistas são convidados a descobrir a floresta de Farankaraina através de uma visita guiada. A taxa cobrada é direcionada para a conservação da floresta  e a criação de empregos nas aldeias vizinhas.
 

 
A floresta de Farankaraina é o habitat de um conjunto de animais e plantas únicos e que compõem a riqueza natural da Baía de Antongil. Estudos recentes mostram um aumento nas populações de animais nesta zona o que faz deste, o local adequado para a reintrodução de espécies. 

Com o apoio do Zoo de Doué-la-Fontaine, em França, a Antongil Conservation passou a ter uma forte relação com o programa de reprodução europeu do Lémure-vermelho, gerido pela Associação Europeia de Zoológicos e Aquários (EAZA). O objetivo é reintroduzir na floresta de Farankaraina jovens lémures nascidos em zoos europeus. Essas reintroduções são realizadas com o apoio do Grupo Malgaxe de investigação de primatas (GERP).

Para além da reintrodução de animais provenientes de zoos europeus, a Antogil Conservation em conjunto com o GERP, monitoriza as populações e promove a translocação de animais de áreas de conflito para zonas seguras.
 


Ação especial de translocação de Lémures-vermelhos - junho de 2018
 Ao longo de vários meses um conjunto de seis indivíduos foram monitorizados pelos conservacionistas numa área de conflito na floresta de Farankaraina com o objetivo de promover a translocação para uma zona segura. Após a captura os animais foram transportados para uma zona de reabilitação onde permaneceram até à data da reintrodução - junho e agosto de 2018. Antes da reintrodução  foram colocados colares de GPS para monitorização da população reintroduzida.
 
Há 70 anos, o Lémure-vermelho foi considerado extinto da floresta de Farankaraina. Atualmente, através da do trabalho  de conservação desenvolvido há 12 anos pela Antogil Conservation, em conjunto com zoos europeus, a espécie volta a Madagáscar.
 
 
JARDIM ZOOLÓGICO EM AÇÃO
 
Em 2007 iniciou um importante programa de conservação, em conjunto com o Zoo de Doué-la-Fontaine, em França, numa das últimas florestas intactas de Madagáscar, a Floresta de Farankaraina, cuja gestão e conservação nos foi confiada pelas autoridades locais.
 
Em 2019 participa ativamente na translocação de Lémures-vermelhos (Varecia rubra), através do envio de colares GPS que serão colocados nos animais antes da libertação que de forma a possibilitar uma monitorização dos animais e para a recolha de dados importantes para o projeto. Os animais são translocados de zonas de Madagáscar onde se encontram em perigo, para as áreas protegidas da floresta de Farankaraina.
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DESCRIPTION: Madagascar e uma ilha com uma elevada taxa de endemismo (cerca de 75%) tanto ao nivel da sua fauna como da sua flora. Alguns exemplos de especies que nao se encontram em mais nenhuma parte do Mundo sao as diferentes especies de lemures das quais o Jardim