Programa de Conservação de Koalas
A Oceânia congrega numa enorme ilha habitats diversos: desde zonas áridas e de savana, a manchas de floresta e de pradaria. Para além da diversidade de biomas regista também uma grande diversidade de animais únicos, entre os quais o koala.
A região de Blue Mountains, compreende 1,03 milhões de hectares de planaltos, escarpas e desfiladeiros dominados por floresta temperada de eucalipto. Aqui, encontramos uma representação significativa da biodiversidade da Austrália com dez por cento da flora vascular, bem como um número significativo de espécies raras ou ameaçadas. Classificada como Património Mundial, esta é ainda o habitat da população de koalas com maior diversidade genética no mundo e por isso, uma importante área a salvagua
Anos de seca, fogos e perda de habitat reduziram drasticamente as populações selvagens deste icónico marsupial. Os incêndios registados no final de 2019, início de 2020, foram o gatilho final e resultaram numa perda de vida selvagem sem precedentes estimada em mais de três biliões de animais.

Compreender as circunstâncias em que os koalas sobreviveram após os incêndios é crucial para prever as áreas que precisam de ser protegidas. Este é o trabalho da Dr.ª Kellie Leigh e da sua equipa da Science for Wildlife, responsáveis pelo primeiro plano de evacuação de emergência de os koalas e que multiplicaram os esforços para salvar os animais.

Após os incêndios, nos três meses seguintes, água a Science for Wildlife disponibilizou água e comida para os animais sobreviventes, que enfrentavam desidratação e fome.
“O trabalho pós-incêndio que estamos a realizar é multifacetado. Com o suporte da Wildlife Alliance do Zoo de San Diego e da NSW Koala Strategy estamos a trabalhar com o objetivo de compreender em que áreas e de que forma é que os koalas sobreviveram aos incêndios. Se compreendermos o que é necessário para que os animais sobrevivam numa paisagem queimada, conseguimos prever o que precisamos de proteger no futuro.

Para recolher a informação temos estado a monitorizar os animais nas zonas de incêndio, em Blue Mountains e áreas adjacentes. Temos encontrado koalas sobreviventes em todo o território, o que são boas notícias, significa que não os perdemos a todos. As áreas que não foram totalmente queimadas ou arderam com menor intensidade, registaram uma maior taxa de sobrevivência. As nossas pesquisas ainda não estão completas, mas temos encontrado indícios de que a taxa de recuperação da vegetação e os níveis de humidade na mesma são um dos principais fatores de distribuição dos animais após o incêndio.

Ainda estamos a tentar perceber quantos koalas perdemos. Temos de os monitorizar a longo prazo para saber se há animais suficientes para que a população volte a crescer, ou se há poucos, e a população entrará em declínio se não for alvo de intervenção no futuro.

Estamos também a monitorizar os koalas que libertámos na natureza três meses depois de os termos resgatado dos fogos. Esses animais têm-nos ensinado como é que esta espécie usa a paisagem após o incêndio. Até à data, observámos um aumento das distâncias percorridas pelos koalas a fim de encontrarem alimento, comparativamente com o que acontecia antes dos incêndios.

Esta é uma razão de preocupação, uma vez que os animais desenvolvem por natureza um bom balanço energético. Têm de gerir a energia que gastam a digerir as folhas de eucalipto (tóxicas para a maioria das espécies), e a viajar para encontrar comida, tendo em conta as calorias e humidade que retiram dessas mesmas folhas. Se houver uma quebra na quantidade de energia que ganham, comparativamente com a energia que despendem, poderá resultar numa nutrição deficiente, com consequências para a condição física dos animais e, consequentemente, uma maior suscetibilidade à aquisição de doenças e uma queda na taxa de natalidade.”

Dra. Kellie Leigh, Diretora Executiva e CEO da Science for Wildlife
“Para além do nosso trabalho dentro da rede de áreas protegidas, estamos também a trabalhar com as comunidades em torno dos sistemas dos Parques Naturais, uma vez que muitas dessas áreas foram protegidas dos incêndios e contêm zonas de habitat saudável, que são importantes para os koalas e outras espécies.

O nível de disponibilidade da comunidade para ajudar a vida selvagem tem permanecido elevado desde os incêndios florestais. Ao sensibilizar e capacitar as pessoas com os conhecimentos de que necessitam para restaurar habitats de boa qualidade e reduzir as ameaças a que os koalas estão sujeitos em áreas desenvolvidas, o nosso objetivo é reforçar a conservação dos animais em todos os habitats. Quantas mais zonas os koalas tiverem para sobreviver, e quanto mais conectadas estiverem essas áreas, maiores são as suas hipóteses de sobrevivência perante as alterações climáticas e outras pressões.

Estamos muito gratos pelo apoio que temos recebido, especialmente de fontes internacionais como o Jardim Zoológico e a Wildlife Alliance do Zoo de San Diego. Para além de permitir o nosso trabalho, ajuda-nos a perceber que há muitas pessoas em todo o mundo se preocupam e partilham a nossa paixão pela conservação da vida selvagem.”

Dra. Kellie Leigh, Diretora Executiva e CEO da Science for Wildlife
Segundo a Drª Kellie Leigh, Diretora da Science for Wildlife, “um dos grandes desafios enfrentados pela equipa durante e após os incêndios foi a inconsistência dos dados recolhidos”. Este, que pode à partida parecer um problema menor, é na realidade vital uma vez que “a maior parte do trabalho de campo visa a recolha de dados que vão sustentar as decisões futuras”, e é por isso imperativo que estes sejam de boa qualidade.

Os Trimbles, aparelhos que se verificaram essenciais no processo de recolha e tratamento de dados para a monitorização das populações em habitat natural, permitiram criar uma automação na recolha de dados que ao serem inseridos passam diretamente para o computador, com georreferenciação, e toda a precisão.

Segundo os especialistas, estes dispositivos apresentam características fundamentais e acabaram por se afirmar como a escolha acertada quando toda a restante tecnologia falhou. “Trabalhamos em áreas remotas e tentámos usar diferentes aplicações de telefone, no entanto, estas não são precisas fora da receção de rede. Os Trimbles são ainda à prova de campo podendo cair ao chão ou dentro de água sem que sofram qualquer dano.”

JARDIM ZOOLÓGICO EM AÇÃO
 
Desde 1991 o Jardim Zoológico participa no programa de conservação in situ de koalas, em colaboração com a Sociedade Zoológica de San Diego, EUA, tendo sido o primeiro zoo europeu a ter esta espécie ao seu cuidado.

No final de 2019, início de 2020, fogos florestais sem precedentes atingiram a Austrália. Em contacto permanente com o Zoo de SAN Diego, fundador do Programa de Conservação de Koalas no habitat natural, o Jardim Zoológico teve acesso a atualizações constantes sobre o desenrolar das operações no campo e assumiu o papel de as partilhar com a comunidade.

Na primeira metade de 2020, o Jardim Zoológico levou a cabo uma recolha de fundos para apoiar a recuperação dos animais e dos seus habitats. Com o dinheiro recolhido e o apoio do Fundo de Conservação do Jardim Zoológico foi possível a compra de dois Trimbles, aparelhos essenciais no processo de recolha e tratamento de dados para a monitorização das populações em habitat natural.
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