Programa de reintrodução do Leopardo-da-pérsia no Cáucaso
O Cáucaso é uma das regiões com maior biodiversidade da zona de clima temperado, com mais de 8.000 espécies animais e vegetais. Encerra em si um conjunto diferente de biomas, desde florestas, a zonas húmidas, estepes e zonas altas de montanha. Aqui, encontram-se os últimos leopardos da Europa, mas também outras espécies raras e endémicas como o Muflão-de-dmelin, o Íbex-caucasiano ou a Perdiz-negra-caucasiana.
É uma ecorregião, com cerca de 580.000 quilómetros quadrados formada por seis países – Arménia, Azerbaijão, Geórgia, partes da Rússia, Turquia e Irão. Localiza-se entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, na região fronteiriça da Ásia e da Europa.
Até meados do século XX o Leopardo-da-pérsia (Panthera pardus saxicolor) era muito comum no Cáucaso, a sua área de distribuição estendia-se por quase todas as áreas montanhosas da região. Em 1950, a sua população decresceu acentuadamente e em algumas áreas tornou-se localmente extinto devido à atividade humana.  Em 2005,  especialistas da WWF Rússia e da Russian Academy of Science uniram-se para a criação de um ambicioso programa com o objetivo de restaurar habitats e promover a recuperação da fauna do Cáucaso.
2005 - Especialistas da WWF Rússia e da Russian Academy of Science desenvolveram um ambicioso programa a longo-prazo com vista à reintrodução (restauração) da população de leopardos no Cáucaso. Para receber os animais, o território teve de ser preparado, através do reforço das medidas de proteção e do aumento de indivíduos das populações de ungulados, de forma a fornecer aos leopardos o alimento necessário.
 
2009 - Com o apoio da WWF Rússia, foi construído um centro especial, perto da cidade de Sochi, para reprodução e preparação dos leopardos para a vida na natureza. Inicialmente, o Centro abriga dois machos provenientes do Turquemenistão e duas fêmeas do Irão.
 
2012 - É assinado um memorando de entendimento sobre os planos para a colaboração para a recuperação do Leopardo-da-pérsia na região do Cáucaso. O Jardim Zoológico envia um casal reprodutor para o Centro de Reprodução e Recuperação de Sochi...

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2013 - Portugal passa a ter uma presença mais ativa no Programa. É formado um grupo de consultores especialistas para unir esforços entre as várias entidades envolvidas na preservação dos leopardos. Nascem as primeiras crias no Centro de Reprodução e Recuperação de Sochi...

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2014 - No Zoo de Nordhorn, Alemanha, foi realizada a primeira inseminação artificial num Leopardo-da-pérsia. A técnica foi conseguida com sucesso, resultando no nascimento de “Elin", até à data  (2019) a única fêmea nascida através de inseminação artificial, e um macho.
 
2015 - O Dr. Rui Bernardino do Jardim Zoológico, em Lisboa, foi convidado para ser o consultor veterinário no Programa de Reprodução do Leopardo-da-pérsia.
2016 - Reintrodução das primeiras crias na Reserva Natural do Cáucaso (Caucasus State Nature Biosphere Reserve)...

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2017- Recolha de sémen do macho “Rica” para inseminação de fêmeas no futuro e transferência histórica do leopardo “Gaspar” do Jardim Zoológico, em Lisboa, para o Zoo de Teerão...
 
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2018 - Duas novas reintroduções: em junho, reintrodução de dois machos no Parque Nacional de Alaniya; em novembro, reintrodução de um macho na Reserva Natural do Cáucaso (Caucasus State Nature Biosphere Reserve).
2019 - Em janeiro, a Dra. Imke Lüders (GEOlifes) e o Dr. Rui Bernardino realizam uma nova recolha de sémen. Desta vez, do macho “General”, que habita no Centro de Reprodução de Sochi (SBC). Este material será utilizado para inseminar fêmeas no futuro. Este macho não está geneticamente representado nas populações sob cuidados humanos, sendo uma mais valia para o futuro da população.
 
Em maio, nasceu no Jardim Zoológico, em Lisboa, a primeira ninhada de “Elin”, a primeira e única  fêmea nascida através da técnica de inseminação artificial até à data.

AMEAÇAS

Os Leopardos-da-pérsia estão “Criticamente em Perigo”, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), sobrevivendo apenas alguns animais na vasta área de dispersão, o que o torna numa das subespécies de leopardo mais ameaçadas. A população total de Leopardos-da-pérsia em estado selvagem está estimada em 870 a 1290 indivíduos, com uma distribuição muito fragmentada.
 
A espécie está ameaçada pela redução e fragmentação do habitat natural, pela caça para o comércio ilegal da pele e dos ossos, bem como pela perseguição direta por ser considerado um predador do gado doméstico e uma ameaça às povoações. Este cenário torna o programa de reintrodução no Cáucaso ainda mais relevante, pois permitirá criar uma população sustentável nesta zona histórica.
 
A contribuição do Jardim Zoológico tem sido fundamental para que todo o processo seja o mais adequado, e determinante para que tenha uma taxa de sucesso elevada. O conhecimento adquirido através da prática de maneio desta espécie em Lisboa, reflete-se na sobrevivência da espécie em habitat natural.

TESTEMUNHOS
 
Aurel Heidelberg Igor Chestin
Aurel Heidelberg
WWF - Alemanha
 
Igor Chestin
WWF - Rússia
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DESCRIPTION: O Jardim Zoologico foi o escolhido para colaborar neste programa, pois o indice de reproducao do parque e bastante elevado e em particular deste casal de Leopardos-da-persia, desde sempre acompanhado pelos tecnicos e especialistas portugueses.