Conservação
Quando a cadeia alimentar ameaça a extinção de uma espécie
Na semana em que se assinala o Dia Internacional do Lince-ibérico, a União Internacional para a Conservação da Natureza – IUCN –, divulgou um comunicado onde revê o estatuto de algumas espécies da Lista Vermelha das Espécies, um documento que disponibiliza informações sobre a distribuição, tendências e ameaças à conservação das espécies e potencia o desenvolvimento de ações de conservação da biodiversidade. Como novidade, este comunicado acrescenta à lista um conjunto de novas espécies que não estavam avaliadas até ao momento.
 
Segundo o documento, as medidas de conservação aplicadas levaram a uma revisão favorável para 10 das espécies listadas. Apesar desta notícia positiva, num conjunto global de 112.432 espécies que fazem parte desta lista, 30.178 estão ameaçadas de extinção.



 

O Coelho-europeu (Oryctolagus cuniculus), também designado por Coelho-bravo, é uma das espécies cujo estatuto decaiu acentuadamente, um decréscimo populacional de 70% desde 2008, passando de um estatuto de “Quase Ameaçada” para “Em Perigo”. Esta espécie é muito vulnerável à doença hemorrágica viral e um novo surto levou ao declínio populacional. Esta é uma perda que não afeta apenas o coelho mas também um conjunto de predadores de topo que têm o coelho como principal fonte de alimento, como o é o caso do Lince-ibérico  (Lynx pardinus), classificado como “Em Perigo” pela Lista Vermelha das Espécies.
 
O Lince-ibérico é um felino de médio porte com uma área de distribuição muito reduzida – Espanha e Portugal. O conjunto de medidas que têm vindo a ser implementadas para a sua conservação promoveu um aumento populacional levando a que passasse de “Criticamente em Perigo” para “Em Perigo”. Esta melhoria no estatuto está ainda ameaçada pela tendência populacional decrescente da sua principal presa – o Coelho-bravo.
 
Para a Dra. Grethel Aguilar, Diretora-Geral da IUCN, deveremos olhar para as 10 espécies em ascensão como um exemplo de que a recuperação das espécies é possível, desde que lhes seja dada uma oportunidade. A Dra. Jane Smart, Diretora Global do Grupo de Conservação da Biodiversidade da IUCN, afirma que os dados recolhidos vêm reforçar o impacto cada vez maior das atividades humanas na vida selvagem, reforçando ainda que os resultados obtidos pelas ações de conservação demonstram que quando governos, organizações de conservação e comunidades locais trabalham juntas, torna-se possível reverter a tendência de perda de biodiversidade.


 

12 de Dezembro de 2019
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